January 2014

Leonard Cohen: o poeta como herói - Parte I

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O primeiro canadense a emergir como a principal figura no mundo do lirismo pop, Cohen é visitado por um crítico, por um amigo e por ele mesmo.

Por Jack Batten | Tradução de Diego Zerwes

Há uma imensa, importante e barulhenta multidão de admiradores de Leonard Cohen por aí que não se importa, ou talvez nem saiba, com o fato de ele ter ganhado o Prêmio Governor-General de 1969 pela sua poesia. Eles reverenciam e adoram Cohen como poeta, mas poucos deles estão entre os quinze mil canadenses e mais milhares de americanos que adquiriram seu Selected Poems este ano e deram o livro o status de estar entre os Mais Vendidos. O conceito que trazem sobre a poesia de Cohen, na verdade de toda a poesia, e do ambiente no qual ela deveria naturalmente florear, dificilmente bate com a visão convencional de puro entretenimento da maioria da Lit. Ing. e dos que pretendem se tornar poetas em universidades do leste.

A peculiar multidão de Cohen é constituída, na maioria, por crianças, fãs de hard-core e rock n’ roll, de folkies, hippies e groupies, de pessoas jovens que usam cabelos compridos e roupas que são, no comum adjetivo que eles mesmo usam, loucas. O Cohen deles, não o das páginas impressas, é o dos álbuns, e por exegeses do seu trabalho, eles olham, não para as periódicos de literatura, mas para uma revista de pop-music de San Francisco chamada Rolling Stone. Para eles, Leonard Cohen não é o notável poeta canadense, nem o respeitado novelista canadense – ele é algo mais grandioso: Leonard Cohen, a pedra-perfeita (para citar o jargão) o cantor e compositor de folk-rock canadense.

As crianças fizeram de Cohen um pop star e suas canções clássicos do pop. Eles reconheceram sua genialidade durante sua primeira importante aparição, no Newport Folk Festival de 1967, quando Cohen roubou a plateia de Joan Baez e Pete Seeger e de outras estrelas consagradas. Quando ele lançou seu primeiro álbum, Songs of Leonard Cohen, pela Columbia, pouco depois do Festival, as crianças o compraram, e em 1969 ainda compram na média de três mil cópias por semana na América do Norte. Agora estão enviando seu segundo álbum, Songs from a Room, lançado no início deste verão, para a Gold Record, símbolo de milhões de vendas no mercado de gravações.

Leonard Cohen na Ilha de Wight

Leonard Cohen na Ilha de Wight

O que talvez seja mais significante é que esta jovem multidão se apaixonou pela “poesia” de Cohen – para eles, é claro, todas as letras de folk e rock são tão poéticas quanto é uma antologia para calouros que estudam a língua inglesa. Eles discutem, analisam e agonizam com as imagens nas músicas de Cohen, especialmente com um verso assustador de Suzanne: “Pois você acariciou mentalmente o corpo perfeito dela”. Eles se importam com o verso, se importam com Cohen. E no julgamento final de suas prioridades, eles listam Cohen junto com outros grandes poetas de hoje: Bob Dylan, John Lennon, Jim Morrison do The Doors, e Pete Townshend do The Who.

Os usuais guardiões da poesia – professores universitários, críticos literários, editores de periódicos – perceberam tardiamente que essas crianças poderiam ter alguma razão, que talvez as letras do rock são poesia. Um escritor da Partisan Review comparou recentemente as canções dos Beatles com Shakespeare,  e na Universidade de Toronto pelo menos um professor traz canções de John Lennon e Mick Jagger nas aulas do primeiro ano, na matéria de poesia moderna. Na New School for Social Research, em New York, entretanto, se ensina que as letras de rock tem crucial participação de um curso chamado Poesia Expandida.

Dificilmente seja verdade, é claro, que todas as letras de rock sejam consistentemente poéticas ou até mesmo literatura. De fato, a maioria das músicas do Top 40 são puras porcarias, tão imbecis quanto qualquer coisa vinda da era Rock Around the Clock  de quinze anos atrás. Até mesmo os compositores “sérios”, sem excluir Dylan, são capazes de evitar eventualmente pretensiosos e terríveis ingredientes literários. Em seguida, também, todas canções pop, boas e ruins, têm a soberba vantagem simplesmente existirem enquanto canções. Uma letra que pode, caso contrário, parecer chata e sem sentido lógico numa página impressa, pode alcançar, ao menos, um significado emocional vindo da música e da energia rítmica que a acompanha.

Ainda, para todas qualificações, as melhores letras de rock da última meia dúzia de anos constituem uma poderosa, imediata, vívida e colorida forma poética. Elas lidam com uma surpreendente gama de tópicos – os prazeres e riscos do uso de drogas, sexo explícito, revolução (muito de bom gosto no momento), infidelidade, pobreza, política – e transmite uma extensa e sem precedentes, pelo menos para a pop music, mudança de humor e emoções: alienação, medo, vazio.

Talvez as letras mais efetivas deixem de lado assuntos específicos com o objetivo de refletir sobre a essência e a percepção do mundo de hoje, para dizer a todos nós “onde ela se encontra”. John Lennon, em seus esforços de projetar o caos do fragmentado e deslocado anos 60, trabalhou por meio do surrealismo (I Am A Walrus), comentário social (Eleanor Rigby), livre fantasia (Strawberry Fields Forever) e enfeitado, o escapismo da droga (Lucy in the Sky With Diamonds). As imagens de Lennon são invariavelmente selvagens e cintilantes, e apesar de nem sempre ter senso narrativo, elas capturam quase que exatamente o rápido e confuso vórtice do nosso mundo.

Dylan, outro mestre da poesia da canção, assim como Jim Morrison, Paul Simon (do Simon and Garfunkel), Peter Townshed, Mick Jagger (dos Rolling Stones) e poucos outros compartilham com as preocupações e métodos de Lennon, mas Leonard Cohen cobre uma parte levemente diferente da cena da pop music. Cohen explora e conta sobre um mundo um pouco menor que os outros, um lugar onde as pessoas, efetivamente, se apaixonam mas não são capazes de manter o amor. Homem e mulher, nas canções de Cohen, estão sempre se separando, ao menos fisicamente. Contudo, não estão necessariamente experimentando uma separação na relação amorosa; antes, estão sofrendo uma falha no comprometimento. E isso, em 1969, é um assunto que intriga todas as crianças.

Alice Freeman conheceu Leonard Cohen perto das 8 horas da manhã, num quarto do Motel Four Seasons, em Toronto. O encontro aconteceu seis anos atrás, quando Alice tinha 18 anos e estava na universidade; ela era tão bela e ferozmente inteligente como é agora, mas tinha também um sonhador, romântico vestígio que hoje prefere negar. Assim como muitas outras esplendorosas jovens garotas, que eram a maior parte da audiência de Cohen, ela conseguiu falar com ele com um simples telefonema, e quando ele disse (como invariavelmente acontece) sim, venha conversar, ela já se encontrava batendo na porta de seu quarto de hotel e se sentindo muito confortável com isso.

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Um cigarro com Coca-Cola

“Lembro de ficar olhando seus pés por um longo tempo, até que ele me convidasse para entrar”, diz Alice sobre o primeiro encontro. “Ele estava apenas de meia e seus pés eram muito atraentes, e aí eu reparei que ele não era tão alto quanto eu esperava”. Ele representa ser mais alto do que é. Ouvi outras mulheres dizerem o mesmo.

“Fiquei lá por duas horas e conversamos sobre absolutamente tudo. Foi um diálogo terrivelmente intenso, fumei cerca de dois maços de cigarro enquanto conversávamos. Ao lado dele tinha um violão. Eu tinha lido A brincadeira favorita e The Spice Box of Earth, eu o conhecia como romancista e poeta, não como músico ou compositor. Em certo ponto, ele pegou o violão e declamou um poema que havia musicado – era uma do Spice-box que começava ‘Hold me hard light, soft light hold me’ – foi um momento repleto de beleza.

 “Na maioria do tempo, naquela primeira vez, conversamos. Você tem que estar bem alerta com Leonard porque ele muda de assunto toda hora. Sua mente vai e vem em assuntos e tempos e até mesmo no tipo de linguagem que está pensando. Ele é muito intenso, e me lembro que quando fui pra casa, depois que saí do motel, deitei na cama e dormi o resto do dia”.

Alice se encontrou, ligou e escreveu para Cohen muitas vezes depois de terem se encontrado. Uma vez, ela enviou uma carta a ele aos cuidados da General Post Office, Atenas, Grécia, que o encontrou. Ela o viu em um bar em New York, perto do Chelsea Hotel, e ela tomou café em dezenas de locais diferentes de Toronto. E certa vez ela telefonou para um apartamento mobiliado em Montreal, onde Cohen estava morando. Marianne atendeu; ela era a amável loira norueguesa com quem Cohen viveu junto por anos e, Alice lembra, “sua voz era a de um anjo – na verdade, quando ela falava, você conseguia ouvir pequenos sinos a badalar”.

Ela foi, então, ao concerto na York University há dois anos, um pouco antes do seu primeiro álbum ser lançado.

“O que ele fez, ele hipnotizou as quinhentas pessoas no salão”, disse Alice. “Ele entrou no palco e acendeu incenso e dirigiu o olhar à plateia e disse bem baixinho, ‘A pessoa que sente mais dor aqui sou eu’. Então ele começou com um canto suave e deixou todo mundo em transe. Depois disso, ele falou e leu e cantou por três horas e cada um dos espectadores o idolatrou. Aquela virou a noite de amor de Leonard Cohen.

Quando o concerto acabou, Cohen fez algo característico que tanto fascinou como incomodou Alice – ele levantou e saiu, deixando tudo para trás, seus livros, seu incenso, seu violão. Se o que ele queria era desaparecer, é possível dizer que, nesse caso, ele teve sucesso. A mulher que promoveu o concerto não conseguiu encontrá-lo para pagar a diária.

“Ele sempre fazia isso, desaparecendo e desertando das pessoas e de suas coisas”, diz Alice. “Ele está sempre sozinho, e faz a maioria das coisas vivendo dentro de sua própria cabeça. Na verdade, ele nunca vive em nenhum lugar fisicamente e sempre me pergunto onde ele se troca e o que faz com suas cuecas.

“Na verdade, ele se enxerga como um andarilho, como uma espécie de corpo que viaja pela dor. Você consegue ouvir isso nas palavras das suas músicas, e eu acho que imagem de Leonard sofrendo, em perigo, atrai muitas garotas. Eu digo, não que ele faça sexo com todas elas. Elas têm a intenção de agir como uma mãe e protegê-lo.

“Eu me preocupo com Leonard – algo do tipo, será que ele vai estar vivo até o próximo ano”?

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Cohen já deixou claro que se sente mais à vontade no brilhante, arejado, mundo da música pop do que no mais intelectual mundo da poesia.

“Sempre me senti muito diferente dos outros poetas que conheci”, ele disse uns anos atrás. “Sempre senti que, de algum modo, eles tomam um decisão contra a vida. Não quero deixar nenhum poeta para baixo, mas a maioria deles fechou um monte de portas. Sempre me senti em casa com músicos. Gosto de compor e cantar e esse tipo de coisa.

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Fazendo seu famoso tremolo.

Ele começou a tocar seu violão em 1950 quando passou o verão num acampamento socialista perto de Montreal, mas ele não se sentia atraído pelo instrumento por razões puramente musicais. Nos primeiros anos de sua adolescência, ele tendia a ser a criança gorda que ninguém gostava, e um violão pareceu ser um artifício para ganhar popularidade. “Provavelmente me ajoelhei pra fazer uma serenata a uma garota. Eu não tinha vergonha naquele tempo”.

Até os dias de hoje, sua técnica no violão sugere que essa foi uma habilidade adquirida em acampamentos e moldada em solenes reuniões de devotados à música folk, e graças a sua aptidão e, de vez em quando, espiritualidade funky, permanece tanto rudimentar quanto funcional. Então, neste quesito, ele moldou sua cantoria. Dificilmente pode se dizer que a voz de Cohen seja macia, hábil, tida como instrumento musical; muito frequentemente, na qualidade, é forte reminiscente da voz essencialmente anti-musical de Bob Dylan. Mas então, hoje, um grande número de cantores pop se parece com Dylan simplesmente porque ele foi o primeiro a perceber que você poderia ser uma voz comum e, adicionando um pitada de emoções honestamente sentidas, ao utilizar alguns truques linguísticos aperfeiçoados por velhos cantores country-and-western, ao lançar mão de inflexões familiares aos cantores negros de blues, você conseguiria criar um extraordinário estilo para cantar. Cohen seguiu uma linha parecida, adicionando um efeito com punhados de estilo de Ray Charles, o cantor e pianista negro que fez evoluir, fora o blues, o gospel e o jazz, o estilo conhecido hoje como soul. Cohen falou que durante um longo tempo ele ouviu o velho Ray Charles até os discos empenarem. E a influência de Charles é óbvia, por exemplo, na gravação da música So Long, Marianne,  especialmente no coro em seu fim, o emotivo verso melódico e o uso de vozes femininas soa como uma versão branca das cantoras de fundo de Charles, as Raelets.

Cohen provavelmente supera Dylan com sua habilidade de transmitir um certa quietudade, sedução, uma frágil emoção. “A voz de Cohen foi chamada de monótona”, escreveu Robert Christgau, corretamente, ano passado na Esquire. Robert seguiu o seu texto assim, também corretamente, “ela é também o mais extraordinário veículo para a intimidade que o novo pop já produziu”.

Parte do impacto da intimidade de Cohen é sustentando pela absoluta clareza de sua voz. Suas palavras soam como seixos jogados em um riacho – puras, limpas, aparadas, inequívocas – e sua dicção nunca deixa a desejar, uma habilidade essencial para um cantor cujas letras são tudo. Bem, talvez não sejam tudo: Richard Goldstein, em seu livro recente, The Poetry of Rock, apontou que “as canções de Cohen têm a consistência do verso moderno, mas ao contrário da poesia linear, elas estão envolvidas firmemente ao redor da espinha rítmica.

Verdadeiramente, as melhores canções de Cohen são pequenas unidades perfeitas de melodia, metro e verso, mas definitivamente a mensagem das letras contêm, para a maioria dos ouvintes de Cohen, o atrativo básico. E a mensagem é intensa, pessoal e privada, desenhada a partir da própria alma de Cohen: mais do que qualquer outro compositor, Cohen está no centro morto de quase tudo que ele canta e escreve. A maioria de suas músicas são narrativas em primeira pessoa, e quanto mais você as escuta e as absorve, mais convencido fica que se trata da autobiografia das emoções de Cohen.

Tomadas por completo, as músicas estabelecem um ferimento ambivalente, o que explica a atração das crianças. Por outro lado, Cohen canta, ama sua mulher profundamente, sexualmente, romanticamente – as ama em cada uma das maneiras concebíveis, na verdade, exceto em algum tipo de senso doméstico, monogâmico – mas por outro lado ainda, ele irá inevitavelmente as abandonar. Ele não tem escolha – ele deve abandoná-las, como deixa claro em So Long, Marianne (clique aqui para ler a tradução completa): 

Bem, você sabe que eu amo viver ao seu lado,
mas com frequência faz com que eu esqueça.
Esqueci de rezar para os anjos.
E os anjos se esqueceram de rogar por nós.

Separação, diz Cohen, não é um desastre, de qualquer modo. De fato, deixar alguém que você ama pode ser francamente um passo salutar, e ele pede que a mulher entenda esse novo modo de viver. Hey, That’s No Way To Say Goodbye fala sobre isso (clique aqui para ler a tradução completa):

Mas não falemos de amor ou correntes,
coisas que não podemos desatar,
seus olhos com tristeza são suaves,
Ei, isso não é jeito de dizer adeus.

Mas talvez tudo isso seja uma frente corajosa; talvez o legal e a bravata sobre deixar um amor para trás, seguir em frente, seja uma proteção real e dolorosa dentro da cabeça de Cohen. Talvez aquele que sofre seja ele. Ele sugere que essa pode ser a exata verdade em Bird On The Wire (clique aqui para ler a tradução completa): 

Como um bebê, natimorto
Como uma fera com seus chifres
Eu atingi
Todos aqueles que vieram a mim

Depois de um tempo tudo começa a se pôr no lugar – o privado, homem intenso, a imagem de Alice Freeman do corpo viajando em dor, a alma de Ray Charles e a voz de Bob Dylan, a urgência, a intimidade, a adoração das crianças ambivalentes. A tudo isso se acrescenta ao título. Leonard Cohen é um poeta.

 

Tonight Will Be Fine

Essa noite vai ser boa

Às vezes me pego pensando no passado.
Juramos um pro outro que o amor ia durar.
Você continuou amando, eu me abstive.
Agora estou ausente e seu amor é grandioso.
Mas sei pelos seus olhos
mas sei pelo seu sorriso
Que essa noite será boa
Será boa, será boa, será boa
Por um momento.

Escolho com cuidado os quartos em que moro,
as janelas são pequenas e paredes sem enfeites,
com apenas uma cama e um banco de oração;
a noite toda escuto seus passos na escada.
Mas sei pelos seus olhos
mas sei pelo seu sorriso
Que essa noite será boa
Será boa, será boa, será boa
Por um momento.

Às vezes, penso nela se despindo pra mim
Ela tem o corpo jovem macio e nu que o amor permite ter
E ela o move tão brava e livremente
Se for capaz de lembrar, essa é uma boa recordação
Mas sei pelos seus olhos
mas sei pelo seu sorriso
Que essa noite será boa
Será boa, será boa, será boa
Por um momento.

Tonight Will Be Fine

Sometimes I find I get to thinking of the past.
We swore to each other then that our love would surely last.
You kept right on loving, I went on a fast,
Now I am too thin and your love is too vast.
But I know from your eyes
And I know from your smile
That tonight will be fine,
Will be fine, will be fine, will be fine
For a while.

I choose the rooms that I live in with care,
The windows are small and the walls almost bare,
There's only one bed and there's only one prayer;
I listen all night for your step on the stair.
But I know from your eyes
And I know from your smile
That tonight will be fine,
Will be fine, will be fine, will be fine
For a while.

Oh sometimes I see her undressing for me,
She's the soft naked lady love meant her to be
And she's moving her body so brave and so free.
If I've got to remember that's a fine memory.
And I know from her eyes
And I know from her smile
That tonight will be fine,
Will be fine, will be fine, will be fine
For a while.

Lady Midnight

Moça da meia-noite

Vim bem sozinho a um lugar movimentado;
procurava por alguém cuja cara fosse enrugada.
E lá a encontrei, mas ela estava preocupada;
Pedi que ela me segurasse, eu disse, “Moça, me desvele”;
mas ela me desprezou e me falou
que eu estava morto e não devia nunca mais voltar.

Bem, argumentei a noite toda,
como muitos fizeram antes,
dizendo, “o que quer que você me ofereça, pareço precisar muito mais”.
Então apontando para mim, onde no chão me ajoelhava,
ela disse, “não tente me usar ou
maliciosamente me negar,
ganhe-me ou perda-me,
foi pra isso que a escuridão foi feita”.

Eu gritei, “Ó, Moça da Meia-noite,
temo que você tenha envelhecido,
as estrelas consomem o teu corpo
e o vento te deixa fria”.
“Se chorássemos agora”, ela falou,
“isso seria ignorado”,
Então caminhei pela manhã, doce madrugada,
Podia ouvir minha moça chamando,
“Você me venceu, você me venceu, meu senhor,
você me venceu, você me venceu, meu senhor,
sim, você me venceu, você me venceu, meu senhor,
ah, você me venceu, você me venceu, meu senhor,
ah, você me venceu, você me venceu, meu senhor”.

Lady Midnight

I came by myself to a very crowded place;
I was looking for someone who had lines in her face.
I found her there but she was past all concern;
I asked her to hold me, I said, "Lady, unfold me, "
But she scorned me and she told me
I was dead and I could never return.

Well, I argued all night like so many have before,
Saying, "Whatever you give me, I seem to need so much more."
Then she pointed at me where I kneeled on her floor,
She said, "Don't try to use me or slyly refuse me,
Just win me or lose me,
It is this that the darkness is for."

I cried, "Oh, Lady Midnight, I fear that you grow old,
The stars eat your body and the wind makes you cold."
"If we cry now, " she said, "it will just be ignored."
So I walked through the morning, sweet early morning,
I could hear my lady calling,
"You've won me, you've won me, my lord,
You've won me, you've won me, my lord,
Yes, you've won me, you've won me, my lord,
Ah, you've won me, you've won me, my lord,
Ah, you've won me, you've won me, my lord."

You Know Who I Am

Você me conhece

Não posso te seguir, meu amor,
você não pode me seguir.
Sou a distância que você interpôs
entre os todos momentos que teríamos juntos.

Você me conhece,
você observou o sol,
bem, sou aquele que ama
mudar do nada para alguém.

Às vezes, preciso de você nua,
às vezes, preciso de você selvagem,
preciso que você carregue meus filhos,
e preciso que assassine uma criança.

Você me conhece,
você observou o sol,
bem, sou aquele que ama
mudar do nada para alguém.

Se alguma vez você precisar me rastrear
aí irei me entregar,
e deixarei com você um homem arrasado
e te ensinarei os modos de repará-lo.

Você me conhece,
você observou o sol,
bem, sou aquele que ama
mudar do nada para alguém.

Não posso te seguir, meu amor,
você não pode me seguir.
Sou a distância que você interpôs
entre os todos momentos que teríamos juntos.

Você sabe quem eu sou,
você observou o sol,
bem, sou aquele que ama
escolher entre nada ou alguém.

You Know Who I Am

I cannot follow you, my love,
You cannot follow me.
I am the distance you put between
All of the moments that we will be.

You know who I am,
You've stared at the sun,
Well I am the one who loves
Changing from nothing to one.

Sometimes I need you naked,
Sometimes I need you wild,
I need you to carry my children in
And I need you to kill a child.

You know who I am,
You've stared at the sun,
Well I am the one who loves
Changing from nothing to one.

You know who I am
If you should ever track me down
I will surrender there
And I will leave with you one broken man
Whom I will teach you to repair.

You know who I am,
You've stared at the sun,
Well I am the one who loves
Changing from nothing to one.

You know who I am
I cannot follow you, my love,
You cannot follow me.
I am the distance you put between
All of the moments that we will be.

You know who I am,
You've stared at the sun,
Well I am the one who loves
Changing from nothing to one.

The Butcher

O açougueiro

Surpreendi um açougueiro
abatendo um cordeiro,
e lá mesmo o recriminei
com o sofrido animal.
Ele disse, “Escute-me, criança,
Eu sou o que sou e você, você é o meu único filho”.

Bem, encontrei uma agulha prateada,
com ela perfurei o meu braço.
Até fez bem, até fez mal.
Mas as noites eram frias
e ela quase me manteve aquecido.
Por que a noite é tão longa?

Vi algumas flores crescendo
onde o cordeiro foi abatido;
eu deveria agradar ao Senhor,
com algum tipo de canto alegre?
Ele disse, “Escute-me, escute-me agora,
eu ando dando voltas e voltas
e você, você é minha única criança”.

Não me deixe agora,
não me deixe agora.
Arruinei-me graças a uma queda recente.
Sangue se esvai do meu corpo
e gelo da minha alma
Em frente, meu filho, este é o seu mundo.

The Butcher

I came upon a butcher
He was slaughtering a lamb
I accused him there
With his tortured lamb
He said, "Listen to me, child
I am what I am
And you, you are my only son."

Well, I found a silver needle
I put it into my arm
It did some good
Did some harm
But the nights were cold
And it almost kept me warm
How come the night is long?

I saw some flowers growing up
Where that lamb fell down
Was I supposed to praise my Lord
Make some kind of joyful sound?
He said, "Listen, listen to me now
I go round and round
And you, you are my only child."

Do not leave me now
Do not leave me now
I'm broken down
From a recent fall
Blood upon my body
And ice upon my soul
Lead on, my son, it is your world

The Old Revolution

A velha revolução

Finalmente fui posto atrás das grades,
encontrei meu lugar acorrentado.
Até o arco-íris mancha a danação
todos os bravos jovens
estão esperando por um sinal
que algum assassino será pago para acender.
Dentro desta fornalha, peço que se arrisque,
você, alguém que não posso trair.

Lutei na velha revolução
ao lado de um fantasma e de um Rei.
Claro que eu era muito jovem
e achei que estávamos vencendo;
não posso fingir que ainda tenho vontade de cantar
enquanto levam os corpos embora.
Dentro desta fornalha, peço que se arrisque,
você, alguém que não posso trair.

Você, que tem começado a gaguejar,
mesmo sem ter nada a dizer.
A todos meus arquitetos, deixem-me ser o traidor.
Agora, permitam-me dizer que eu mesmo dei a ordem
para dormir, procurar e destruir.
Dentro desta fornalha, peço que se arrisque,
você, alguém que não posso trair.

Sim, você que foi corrompido pelo poder,
você que esteve ausente o dia todo.
Vocês que são os Reis pelo bem do futuro das crianças,
a mão do seu pedinte foi queimada pelo dinheiro,
a mão daquele que ama é de barro.
Dentro desta fornalha, peço que se arrisque,
você, alguém que não posso trair.

The Old Revolution

I finally broke into the prison,
I found my place in the chain.
Even damnation is poisoned with rainbows,
All the brave young men
They're waiting now to see a signal
Which some killer will be lighting for pay.
Into this furnace I ask you now to venture,
You whom I cannot betray.

I fought in the old revolution
On the side of the ghost and the King.
Of course I was very young
And I thought that we were winning;
I can't pretend I still feel very much like singing
As they carry the bodies away.
Into this furnace I ask you now to venture

Lately you've started to stutter
As though you had nothing to say.
To all of my architects let me be traitor.
Now let me say I myself gave the order
To sleep and to search and to destroy.
Into this furnace I ask you now to venture

Yes, you who are broken by power,
You who are absent all day,
You who are kings for the sake of your children's story,
The hand of your beggar is burdened down with money,
The hand of your lover is clay.
Into this furnace I ask you now to venture

Seems So Long Ago, Nancy

Parece que foi há tanto tempo, Nancy

Parece que foi há tanto tempo.
Nancy estava sozinha,
assistindo televisão
por uma pedra quase preciosa.
Na Casa da Honestidade,
seu pai julgava um caso,
na casa do Mistério,
não havia alma viva,
não havia alma viva.

Parece que foi há tanto tempo,
nenhum de nós era forte;
Nancy usava meias verdes
e dormiu com todo mundo.
Ela nunca disse que esperaria por nós
mesmo que estivesse sozinha.
Acho que ela se apaixonou por nós
em mil novecentos e sessenta e um,
em mil novecentos e sessenta e um.

Parece que foi há tanto tempo,
Nancy estava sozinha,
uma quarenta e cinco ao lado rosto,
um telefone fora do gancho.
Dissemos que ela era bela
dissemos a ela que estava livre
mas nenhum de nós foi visitá-la
na Casa do Mistério,
na Casa do Mistério.

E agora você olha ao seu redor,
a vê em todos os lugares,
muitos usam seu corpo,
muitos penteiam seu cabelo.
No solidão da noite
quando você está frio e adormecido
você ouve ela falar sem rodeios
ela está feliz com a sua vinda,
ela está feliz com a sua vinda.

Seems So Long Ago, Nancy

It seems so long ago,
Nancy was alone,
looking ate the Late Late show
through a semi-precious stone.
In the House of Honesty
her father was on trial,
in the House of Mystery
there was no one at all,
there was no one at all.

It seems so long ago,
none of us were strong;
Nancy wore green stockings
and she slept with everyone.
She never said she'd wait for us
although she was alone,
I think she fell in love for us
in nineteen sixty one,
in nineteen sixty one.

It seems so long ago,
Nancy was alone,
a forty five beside her head,
an open telephone.
We told her she was beautiful,
we told her she was free
but none of us would meet her in
the House of Mystery,
the House of Mystery.

And now you look around you,
see her everywhere,
many use her body,
many comb her hair.
In the hollow of the night
when you are cold and numb
you hear her talking freely then,
she's happy that you've come,
she's happy that you've come.

The Partisan

The Partisan

When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.

I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.

An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.

There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

Irei Les Allemands etaient chez moi I
ls me dirent, "Signe toi"
Mais je n'ai pas peur
J'ai repris mon arme

J'ai change cent fois de nom
J'ai perdu femme et enfants
“Mais j'ai tant d'amis
J'ai la France entiere

Un vieil homme dans un grenier
Pour la nuit nous a cache
Les Allemands l'ont pris
Il est mort sans surprise.

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

Quando eles fugiram pela fronteira,
fui alertado a me entregar.
Isso não poderia fazer,
peguei minha pistola e sumi.

Mudei meu nome tantas vezes,
perdi esposa e filhos.
Mas tenho muitos amigos,
e alguns deles estão comigo.

Uma senhora nos deu abrigo,
escondeu-nos no sótão.
Os soldados então chegaram,
ela morreu sem dar um pio.

Éramos três esta manhã,
nesta tarde sou apenas um,
Mas devo seguir em frente,
as fronteiras são minha prisão.

Ó, o vento, o vento sopra,
pelas covas ele sopra.
Liberdade irá chegar,
chegaremos então vindos das sombras.

Os alemães foram em minha casa,
disseram: “Identifique-se”.
Mas não tenho medo,
recureperei minha arma.

Mudei de nome muitas vezes,
perdi esposa e filhos.
Mas tenho muitos amigos,
tenho a França inteira.

Um velho homem, no sótão
nos escondeu durante a noite.
Os alemães o supreenderam,
ele morreu sem se importer.

Ó, o vento, o vento sopra,
pelas covas eles sopra.
Liberdade irá chegar,
chegaremos então vindos das sombras.

A Bunch of Lonesome Heroes

Um punhado de heróis solitários

Um punhado de heróis solitários e dissidentes
fumavam em uma estrada tranquila;
entre eles, a noite estava bem densa e escura,
cada qual com menos de sua carga comum.
“Gostaria de contar a vocês minha história”,
Disse um deles, muito jovem e bravo,
“Gostaria de contar a vocês minha história,
antes que me transforme em ouro”.

Mas nenhum deles podia ouvi-lo,
A noite muito densa, escura e verde;
bem, acho que esses heróis sempre viveram ali
naquele único lugar onde eu e você estivemos.
Jogue fora esse cigarro, meu amor,
você esteve sozinho por muito tempo;
e alguns de nós, neste momento, estão muito famintos
para escutar que o que você fez foi muito errado.

Canto isso para os grilos,
canto isso para o exército,
canto isso para suas crianças
e para todos aqueles que não precisam de mim.
“Gostaria de contar a vocês minha história”,
Disse um deles, muito bravo.
“Ó sim, gostaria de contar a minha história
porque vocês sabem que sinto que estou virando ouro”.

A Bunch of Lonesome Heroes

A bunch of lonesome and very quarrelsome heroes
were smoking out along the open road;
the night was very dark and thick between them,
each man beneath his ordinary load.
"I'd like to tell my story,"
said one of them so young and bold,
"I'd like to tell my story,
before I turn into gold."
But no one really could hear him,
the night so dark and thick and green;
well I guess that these heroes must always live there
where you and I have only been.
Put out your cigarette, my love,
you've been alone too long;
and some of us are very hungry now
to hear what it is you've done that was so wrong.

I sing this for the crickets,
I sing this for the army,
I sing this for your children
and for all who do not need me.
"I'd like to tell my story,"
said one of them so bold,
"Oh yes, I'd like to tell my story
'cause you know I feel I'm turning into gold."