June 2014

Our Lady of Solitude

Nossa dama de solidão

All summer long she touched me
She gathered in my soul
From many a thorn,
from many thickets
Her fingers, like a weaver's
Quick and cool

And the light came from her body
And the night went through her grace
All summer long she touched me
And I knew her, I knew her
Face to face

And her dress was blue and silver
And her words were few and small
She is the vessel of the whole wide world
Mistress, oh mistress, of us all

Dearly dead; Queen of Solitude
I thank you with my heart
for keeping me so close to thee
while so many, oh so many, stood apart

And the light came from her body
And the night went through her grace
All summer long she touched me
I knew her, I knew her
Face to face

Durante todo o verão ela me tocou
ela se ateve à minha alma
para muitos, um espinho,
para muitos outros, um bosque cerrado
Seus dedos, como teares,
rápidos e calmos

E a luz vinha de seu corpo
e a noite testemunhou sua graça
Durante todo o verão ela me tocou
Eu a conhecia, a conhecia
Cara a cara

Seu vestido era prata e azul
Suas palavras eram curtas e poucas
ela era o refúgio do mundo inteiro
senhora, senhora de todos nós

Cara Dama; Rainha de Solidão
Com meu coração te agradeço
por me manter assim tão perto de ti
Enquanto muitos, muitos outros, ficam de lado

E a luz vinha de seu corpo
e a noite testemunhou sua graça
Durante todo o verão ela me tocou
Eu a conhecia, a conhecia
Cara a cara

The Traitor

O traidor

Now the Swan it floated on the English river
Ah the Rose of High Romance it opened wide
A sun tanned woman yearned me
through the summer
and the judges watched us from the other side

I told my mother "Mother I must leave you
preserve my room but do not shed a tear
Should rumour of a shabby ending reach you
it was half my fault and half the atmosphere"

But the Rose I sickened with a scarlet fever
and the Swan I tempted with a sense of shame
She said at last I was her finest lover
and if she withered I would be to blame

The judges said you missed it by a fraction
rise up and brace your troops for the attack
Ah the dreamers ride against the men of action
Oh see the men of action falling back

But I lingered on her thighs a fatal moment
I kissed her lips as though I thirsted still
My falsity had stung me like a hornet
The poison sank and it paralysed my will

I could not move to warn all the younger soldiers
that they had been deserted from above
So on battlefields from here to Barcelona
I'm listed with the enemies of love

And long ago she said "I must be leaving,
Ah but keep my body here to lie upon
You can move it up and down and when I'm sleeping
Run some wire through that Rose and wind the Swan"

So daily I renew my
idle duty
I touch her here and there -- I know my place
I kiss her open mouth and I praise her beauty
and people call me traitor to my face

O Cisne paira sobre o Rio Inglês,
a Rosa do Grande Romance desabrochou
uma mulher bronzeada bocejou pra
mim durante o verão
os Juízes nos vigiavam do lado oposto

Disse à minha mãe, Mãe devo deixá-la
Resguarde meu quarto, mas não derrame lágrima
boatos de um pobre fim deviam chegar a você
metade da culpa foi minha, metade da atmosfera.

Mas a Rosa eu envenenei com a Febre Escarlate
e incuti no Cisne o sentimento da vergonha
Ela disse, ao menos, que fui seu melhor amante
e se ela secasse, eu seria o culpado.

Os Juízes disseram, Você fracassou por um segundo
Levante-se e reúna suas tropas para o ataque
Os Sonhadores investem contra os Homens de Ação
Veja, lá, os Homens de Ação baterem em retirada.

Mas demorei-me num momento fatal em suas coxas
Beijei seus lábios apesar de ainda desejar
Minha falsidade me ferroa como uma abelha
O veneno penetra e neutraliza minha vontade.

Imóvel, não preveni os soldados mais jovens
que o alto escalão os havia abandonado.
Dos campos de batalha daqui até Barcelona
estou engajado com os inimigos do amor.

Muito tempo atrás ela disse, Devo partir
Ah, mas deixe meu corpo repousar aqui
Você pode movê-lo para lá e pra cá e enquanto durmo
passe um fio pela Rosa e abane o Cisne

Então diariamente eu renovo minha
preguiçosa obrigação
Toco nela aqui e ali -- conheço meu lugar
Beijo sua boca desvelada e louvo sua beleza
E o povo, na minha cara, me chama de Traidor.

The Lost Canadian

O canadense errante

A wandering Canadian,
banned from his hearths,
travelled while crying
travelled while crying
in foreign lands.

One day, sad and pensive,
sitting by the flowing waters,
to the fleeing current
he addressed these words:
to the fleeing current
he addressed these words:

"If you see my country,
my unhappy country,
go tell my friends
that I remember them.
go tell my friends
that I remember them.

O days so full of charms,
you have vanished...
And my native land, alas!
I will see it no more.
And my native land, alas!
I will see it no more.

Um canadense errante,
banido de seu lar,
viajava enquanto chorava
viajava enquanto chorava
em terras estrangeiras.

Certo dia, triste e pensativo,
sentado à beira das águas fluentes,
à fugidia correnteza,
endereçou essas palavras:
à fugidia correnteza,
endereçou essas palavras:

“Caso veja minha pátria,
minha pátria infeliz,
diga a meus amigos
que me lembro deles.
diga a meus amigos
que me lembro deles.

Dias tão cheios de charme,
vocês sumiram...
minha terra nativa, ai de mim!
Não a verei jamais
e minha terra nativa, ai de mim!
Não a verei jamais.

A kite is a victim

Uma pipa é uma vítima

A kite is a victim you are sure of.
You love it because it pulls
gentle enough to call you master,
strong enough to call you fool;
because it lives
like a desperate trained falcon
in the high sweet air,
and you can always haul it down
to tame it in your drawer.

A kite is a fish you have already caught
in a pool where no fish come,
so you play him carefully and long,
and hope he won’t give up,
or the wind die down.

A kite is the last poem you’ve written,
so you give it to the wind,
but you don’t let it go
until someone finds you
something else to do.

A kite is a contract of glory
that must be made with the sun,
so make friends with the field
the river and the wind,
then you pray the whole cold night before,
under the travelling cordless moon,
to make you worthy and lyric and pure.

Uma pipa é uma vítima e você está certo disso.
Você a ama porque ela puxa
suave o bastante para te chamar de mestre,
firme o bastante para te chamar de tolo;
porque ela vive
como um perigoso falcão treinado
no doce ar rarefeito,
e pode sempre trazê-la de volta
para amansá-la em sua gaveta.

Uma pipa é um peixe que você já fisgou
numa piscina onde não há peixes,
então brinca longa e cuidadosamente com ela
e espera que não ser abandonado,
ou que cesse o vento.

Uma pipa é o último poema que você escreveu,
que é entregue ao vento,
mas não permite que ela se vá,
até que alguém arrume
alguma outra coisa a se fazer.

Uma pipa é um contrato de glória
que deve ser feito com o sol,
então você convida o campo, o rio e o vento
para serem seus amigos,
e por isso, durante todo o frio da noite anterior, reza,
sob o itinerante luar,
para que te faça digno, poético e puro.

Came So Far For Beauty

Vim de tão longe pela beleza

I came so far for beauty left
so much behind
My patience and my family
My masterpiece unsigned
I thought I'd be rewarded
For such a lonely choice
And surely she would answer
To such a very hopeless voice
I practiced all my sainthood
I gave to one and all
But the rumours of my virtue
They moved her not at all
I changed my style to silver
I changed my clothed to black
And where I would surrender
Now I would attack
I stormed the old casino
For the money and the flesh
And I myself decided
What was rotten and what was fresh
And men to do my bidding
And broken bones to teach
The value of my pardon
The shadow of my reach
But no, I could not touch her
With such a heavy hand
Her star beyond my order
Her nakedness unmanned
I came so far for beauty
I left so much behind
My patience and my family
My masterpiece unsigned

Vim de tão longe pela beleza
Deixei tudo pra trás
Minha família e minha paciência
Minha obra-prima sem assinar
Achei que seria recompensado
por tal escolha solitária
Certamente ela responderia
a uma tão desesperançada voz.
Pratiquei minha santidade
cedi para um e para todos
mas os boatos da minha virtude
de modo algum a comoveram.
Comecei a usar prata
Comecei a me vestir de preto
quando antes me entregaria
agora parto para o ataque.
Tempestuei o velho cassino
Pelo dinheiro e pela carne
E decidi por mim mesmo
o que era podre e o que era fresco.
Homens para cumprirem minhas ordens
Ossos quebrados para ensinar
o valor do meu perdão
a sombra do meu alcance.
Mas não, não poderia tocá-la
com mãos tão pesadas
Sua personalidade além da minha ordem
sua nudez sem tripulação.
Vim de tão longe pela beleza
Deixei tudo pra trás
Minha família e a paciência
Minha obra-prima sem assinar

The Window

A Janela

Why do you stand by the window
Abandoned to beauty and pride
The thorn of the night in your bosom
The spear of the age in your side
Lost in the rages of fragrance
Lost in the rags of remorse
Lost in the waves of a sickness
That loosens the high silver nerves

Oh chosen love, Oh frozen love
Oh tangle of matter and ghost
Oh darling of angels, demons and saints
And the whole broken-hearted host
Gentle this soul

And come forth from the cloud of anoint
And kiss the cheek of the moon
The New Jerusalem glowing
Why tarry all night in the ruin
And leave no word of discomfort
And leave no observer to mourn
But climb on your tears and be silent
Like a rose on its ladder of thorns

Oh chosen love, Oh frozen love...

Then lay your rose on the fire
The fire give up to the sun
The sun give over to splendour
In the arms of the high holy one
For the holy one dreams of a letter
Dreams of a letter's death
Oh bless thee continuous stutter
Of the word being made into flesh

Oh chosen love, Oh frozen love...

Gentle this soul

Por que está parada na janela?
Abandonada à beleza e ao orgulho.
O espinho da noite em seu peito.
O arpão da idade ao seu lado.
Perdida nas sanhas da fragrância
Perdida nos trapos do remorso
Perdida nas ondas de uma náusea,
que relaxam seus fortes nervos de prata.

Ó, amor escolhido, ó, amor congelado
Ó, trança de matéria e espírito
ó, querida dos anjos, demônios e santos
e hospedeira de todos desolados
acalme essa alma.

Siga na frente da nuvem de mistérios
e beije a face da lua.
Desponta a nova Jerusalém
porque tisna a noite toda em ruína.
Não deixe palavras de angústia
e nenhum observador de luto.
Transponha suas lágrimas e fique em silêncio
como a rosa e sua escada de espinhos.

Ó, amor escolhido, ó, amor congelado...

Então deite sua rosa nas chamas
as chamas se rendem ao sol
O sol se entrega ao esplendor
nos braços daquele que é Santo.
E esse Santo sonha com uma carta,
Sonha com uma morte da carta
Abençoe a gagueira contínua
da verbo estar sendo feito em carne.

Ó, amor escolhido, ó, amor congelado...

Acalme essa alma.